Se isto não é ter pinta, então não sei.
Ruivo. Cada vez que faço sopa de cenoura lembro-me dele.
Sardas, muitas. A gargalhada: única. Boçal.
Cheiro. Bom. Talvez maravilhoso. A água colonia familiar.
Daquelas que ficam o dia todo.
Mente brilhante, imaginação profunda. Conseguiu arranjar 6
alcunhas às filhas, absolutamente inconcebíveis.
Criança, a rasar o bebé. Dá-me ideia que fui mãe dele a
partir dos 13 anos. Pois pudera, ficou sem a mulher, as filhas casaram e alguém
tinha que por ordem naquela casa.
Conversas, muitas. Bater bolas da melhor maneira. Ao sabor
de um uísque, bebida que obrigou-me a aprovar com a frase “tonta. Uísque é uma
bebida que aprende-se a gostar”. Pois. E eu aprendi.
Doentiamente organizado. Nunca se esqueceu de datas e
revisitar os arquivos dele é como ir ao Google: encontra-se tudo.
Adorável. Tinha sempre algo de simpático a dizer, desde ao primeiro-ministro
como ao homem do lixo. Espalhava charme. Minto: magia. Espalhava magia.
Fértil. Deixou 6 filhas, 17 netos e terreno fértil para continuarmos
isto que vai para aqui. Foi é de repente, o malvado. Na pior altura, o
malandro. Não há direito. Nem me despedi condignamente. ‘Tá mal. Queria ter
dado aquela beijoca. E levado aquela bôla de carne que ele tanto me pediu. O meu Pai.